Uma noite como esta mergulha na escuridão dos nossos maiores medos, no osso mais irracional da espinha humana
Numa noite como esta ficamos unidos no mesmo silêncio contido entre as rajadas e a inquietação. Somos frágeis, nas nossas construções de alvenaria. Os nossos corpos tremem de um frio que é a antecipação da morte. Em noites assim alguém parte e alguém nasce. Alguém se entrega ao fundo amplo da paixão.
Na serra, os bichos recolhem-se na própria pele, enovelados por dentro enquanto fora o mundo geme
No mundo, alguém enfrenta a sua própria e incerta solidão.
Eu e tu falamos sobre o que resta de nós
e juntamos o tanto que o vendaval não nos levou. Numa noite destas nunca estamos sós.
21.12.19
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