14.1.20

SerTer

Não tenho nada. Nunca tive nada.
Não quero sequer ter o que tenho.
A posse escorregadia da ilusão e da lucidez, a propriedade de secar pela raíz, a herança da dor,
nada disso é meu. São traços codificados da minha espécie, vazio sobre vazio,
uma pedra mármore e um punhado de nada piedosamente posto ao lado das flores.

Não tenho nada. Sou uma corrente inversa que busca a fonte e a origem do ser. Não tenho nada. Sei o que sou e quem sou, sei o calor das minhas mãos a gentileza do meu ser, mas não tenho, não mereço ter seja o que for.

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