As estrelas,
Ofuscadas de urbana luz,
Não contam as histórias
De quem as olhou
Mas estão lá os sonhos antigos
De quem os riscou
E os olhos brilhantes
De quem os sonhou
Há uma matéria astral
composta de emoções
Gravitam na poeira
Os despojos das vidas
E essa matéria astral
Pode ser o amor
Pode ser o amor
São cadentes as estrelas
E as sensações
São fugazes quando passam
Com um rasgo de luz
Na pele e no olhar
O céu - uma narrativa aberta
Onde o futuro se lê
Onde o presente se vive
E o passado ficou -
É matéria e tempo
Um universo com a traça original
da vida
Pois
Explode, divide-se
Rasga o vazio e
Abre o espaço
Atrai os corpos
Em estilhaços de amor
Depois é cinza e escuridão
É o espelho do infinito
Quando o olhamos,
no nosso breve percurso
Pois
Somos também cadentes,
Ocasionais e efémeros
Não há eternidade
No que sentimos -
Nem sequer
As estrelas são eternas
Na luz morta que enviam
Mas sentimos
E insistimos em ver
Na luz das estrelas
Um chamamento ao amor
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