9.2.20

A luz das estrelas


As estrelas,
Ofuscadas de urbana luz,
Não contam as histórias
De quem as olhou

Mas estão lá os sonhos antigos
De quem os riscou
E os olhos brilhantes
De quem os sonhou 

Há uma matéria astral
composta de emoções
Gravitam na poeira
Os despojos das vidas
E essa matéria astral
Pode ser o amor

São cadentes as estrelas
E as sensações
São fugazes quando passam
Com um rasgo de luz
Na pele e no olhar

O céu - uma narrativa aberta
Onde o futuro se lê
Onde o presente se vive
E o passado ficou -
É matéria e tempo

Um universo com a traça original
da vida
Pois
Explode, divide-se
Rasga o vazio e 
Abre o espaço
Atrai os corpos
Em estilhaços de amor
Depois é cinza e escuridão

É o  espelho do infinito
Quando o olhamos, 
no nosso breve percurso
Pois
Somos também cadentes, 
Ocasionais e efémeros
Não há eternidade
No que sentimos - 
Nem sequer 
As estrelas são eternas
Na luz morta que enviam

Mas sentimos
E insistimos em ver
Na luz das estrelas
Um chamamento ao amor

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