Comigo, com a casa e com o lume. Com os dias pardos, envoltos num papel de jornal mal frequentado. Com as árvores mal regadas, os cães que me morderam e fugiram.
Acerto as minhas contas todas, com os anos e com os homens. Odeio o cheiro a suor dos anos. Não quero ficar a dever nada aos seres que não amei nem aos que me desamaram.
É o momento de apagar todas as dívidas que devo aos sonhos e libertá-los, pura essência da inutilidade, infértil chuva de água em estado pobre
Acerto-me comigo nestas contas sem conta, sem juros ou juras que contem para o lucro acrescido de amor
Limpo, apago, devolvo. Pago o que devo a quem devo. Desculpem. Devo ter esquecido alguma coisa. Que ma paguem os meus desígnios mais negros. Afinal, fui desgraçada o bastante para estar quite com os deuses.
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