Há más caras e caras boas ou caras assim assim, mas nós não as vemos sob as caras que o acaso ou a pressuposição apôs sobre as caras que supomos
Máscaras que arrancas descobrem máscaras e camadas novas de pele e não chegamos a saber qual delas deixa de ser a máscara para ser a pele frágil da verdade
Não suporto máscaras, nem no Carnaval. Tenho a pouco poética moda da pele e uso a pele como a máscara banal dos meus dias
Não me venham falar da máscara que é encarnação do destino, porque eu não tenho destino e não afago possibilidades e enganos com estas mãos lisas e prosaicas
Não compreendo os seres que se mascaram para o amor. Não os conheço.
Não me venham com mistificações.
Não tenho tempo para raspar a tinta que parece sangue, muito menos o sangue que, afinal, é tinta
Podes ir. Leva a tua pele e o sagrado do segredo. Já não devia haver máscaras entre nós. O meu tempo é curto antes que a máscara da morte venha banalizar todas as outras - essas que encheram os meus melhores anos de ilusão
E não foram poucas. Fora as que eu mesma te afixei na incerta pele e eram de outros. Não quero acabar os meus dias sem um rosto.
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