19.2.20

Máscaras, a arte do descompromisso

Há más caras e caras boas ou caras assim assim, mas nós não as vemos sob as caras que o acaso ou a pressuposição apôs sobre as caras que supomos

Máscaras que arrancas descobrem máscaras e camadas novas de pele e não chegamos a saber qual delas deixa de ser a máscara para ser a pele frágil da verdade

Não suporto máscaras, nem no Carnaval. Tenho a pouco poética moda da pele e uso a pele como a máscara banal dos meus dias

Não me venham falar da máscara que é encarnação do destino, porque eu não tenho destino e não afago possibilidades e enganos com estas mãos lisas e prosaicas

Não compreendo os seres que se mascaram para o amor. Não os conheço.
Não me venham com mistificações.
Não tenho tempo para raspar a tinta que parece sangue, muito menos o sangue que, afinal, é tinta

Podes ir. Leva a tua pele e o sagrado do segredo. Já não devia haver máscaras entre nós. O meu tempo é curto antes que a máscara da morte venha banalizar todas as outras -  essas que encheram os meus melhores anos de ilusão

E não foram poucas. Fora as que eu mesma te afixei na incerta pele e eram de outros.  Não quero acabar os meus dias sem um rosto.


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