14.2.20

Eras tu

E depois eras tu, meu fino amor, e eu surpresa e suspensa na novidade. Na mesa estavam uns livros e o café a tiritar de frio tal a condensação a escorrer pela vidraça.

Não vinhas de dentro do capítulo nem estavas na contracapa mas eras seguramente tu, porque falavas com os olhos e as mãos presas em todas as páginas.

Havia geada no meu coração, tu sabes, e a súbita eclosão das sílabas sabiam a ti, à doçura da tua boca, a lisura húmida da tua língua. Derreti-me numa suave, súbita esperança de me cruzar contigo dentro do universo narrativo.

Personagem, adjuvante e musa sempre bela, num palácio bizantino com um leito lúbrico e um festim de mel. Seria assim o início da criação de um império de amplo amor.


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