Aprendi a suspender-me na corda da roupa e não importa se o sol já me secou há muito tempo e estou pronta para ser recolhida e dobrada. Ando a balançar-me ao vento, a aprender a rara essência de não ser nenhum ser.
Metia-me numa gaveta e serenava, absorvia a humidade dos anos e enrolava as memórias em bolas de naftalina.
Seria um poema ressequido nos saquinhos de alfazema e quem me encontrasse lia o inebriante estado de ter existido com rendas e fotos eventualmente sublimes.
Mas ninguém podia desatar a corda. Para isso já seria tarde.
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