Já fui ao Sol e voltei como um condenado para a cela, esse lugar de névoa e falsa alegria onde vivem os pobres com as suas crias e as tocas são bocas húmidas com sede de saúde
Há pouca poesia da janela desta cela, porque a poesia não está nela, não está nas coisas, não é qualidade intrínseca dos objetos, mas de quem os vê. A poesia está na disposição do olhar.
Fui ao Sol e trouxe a alegria dos pássaros do campo. Não ouço pássaros hoje, na cidade. Talvez estejam como eu, interditos, mudos e tristes, com a cinza extrema deste velho inverno.
Um dia tenho de ir para o Sol e não voltar.
9.2.20
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