8.2.20

O amo da minha morte

Fechada, a casa cresce e agiganta a solidão. Não te sinto inteiro no universo, porque és esparso e irreal como a luz das estrelas que sempre se atrasa.

 Tenho tantos cometas súbitos de ti nas saudades de seres tu ao ranger da porta.
que me tenho barricado no porão deste espaço parado que é vago e vagueia no horizonte que habitamos, que aumentamos, que deprimimos, que adulteramos, que esquecemos.

Desculpa lá os móveis tapados com palavras de pano escuro. Desculpa as arestas e os retalhos e os remédios para a alma e esta fuga assim atrofiada para debaixo das tábuas.

Ambos somos chegada e partida. Só não sabemos onde. Por sorte que as paredes guardam bem a tua voz. E eu escuto as tuas palavras antigas, amadas, mágicas, sinos a dobrar no ano da minha morte,
na casa onde a noite ainda se abre ocasionalmente para a fuga maior do amor que se consome na lenha apagada do lume.

E eu sei que é leve o leme que me leva e se há luto é porque a vida é pequena para uma casa assim.


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