22.3.20

apeadeiro

havia uma paragem do coração
num apeadeiro estranho
era por onde entrávamos
a qualquer hora, para o resguardo
do ninho

ainda vejo passar o comboio
para o lado dos sentidos
aceno-te, meu amor, de longe
e o teu olhar é de amante e amigo

mas vai voraz entre árvores e casarios, vales perdidos

o teu olhar já não está comigo

olhámos demais para trás dos muros
foram tantos e foram escuros

chama-se passado e já não tem fundo

mas nesta viagem o coração vence tudo -
salta para o infinito, releva a dor e o luto
nesta viagem num comboio louco
o amor detém-se na visão do teu rosto

e, por momentos, só existe o minuto em que o comboio se abriu e tu entraste



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