Todas as palavras escuras terminam em ditongos e formam ângulos rasos no coração, que furam, ferem, fazem pulsar o incerto órgão
Solidão,
ficarmos na ponta do lençol
com as palmas das mãos viradas para apenas nós
Ilusão,
coser as alças do corpo com um nó inteiramente cego só para nós
Paixão,
vibrar um violino cego e ouvir a flauta de um pastor apaixonado só por nós
Desilusão,
achar no lençol um rasgão, no corpo a fuga do amor, na flauta a finta dos sentidos e nenhuma flor. Perdão!
Só gosto dos ditongos que apanham, arranham e lavram a pele
como mãos que se apõem, urgentes que são, e servas que servem, ou sedas que voem, voltem e vão
Sim. Só gosto do ditongo que forma a concha da tua mão
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