não gosto de descascar ovos cozidos
quando a unidade perfeita se fragmenta
mas adoro a pele macia do pêssego
que sai inteira e ilesa
há coisas de que gosto e outras não
adoro a dança dos gatos
na ilusão de alcançar o impossível
os olhos de um homem cheios de suor
adoro-os quando me falam de amor
a nuvem que resiste â força do vento
preferindo enovelar-se em mil formas diferentes
agrada-me que não se movimente
não suporto snobs que se achem mais gente
são como casquinhas de ovo, inúteis, descalcificados
sentimentos, mutantes como a efémera corrente
gostos dos simples, que conhecem o som dos pássaros
e a linguagem ruminante dos carneiros
a libertação para mim será ser sempre o ovo partido
de uma só vez, o pêssego a pele amada, a nuvem a
modelação da alma
e a sábia linguagem das aves é o meu breviário
mais estimado: é com ela que me explico quando quero
falar ao meu amado
22.4.20
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