6.4.20

refugiados

acordas com a morte em números
tombam corpos nesta guerra
na subida da colina os mais velhos sucumbem

a senhora das trevas levou quantos esta noite?

perguntas-te: mas isto não acontecia só lá longe?
Naqueles países de águas inquinadas?

não, desta vez foste tu avisado
desta vez, o ocidente abençoado
é o cordeiro desta Páscoa

e tu, cordeiro és do sacrifício da alma
da purificação das mãos e dos pés lavados

como Cristo antes de partir
também tu terás de te render
com máscaras de ilusão
e sem ramos de oliveira, aguardas a morte
se virá ou não

e o corpo do amor,
não tocarás desta vez
não beijarás os lábios de mel
nem tocarás de perto o seu odor

refugiado és dentro de ti
insuportável estado de viver
promiscuidade da tua sombra e de ti
vives higienicamente no teu suor limpo
a sobreviver

regressas a ti, donde estavas ausente.
sabes agora que podemos ser refugiados
da morte e da dor, sem viver nos escombros
ou em águas inquinadas

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