acordas com a morte em números
tombam corpos nesta guerra
na subida da colina os mais velhos sucumbem
a senhora das trevas levou quantos esta noite?
perguntas-te: mas isto não acontecia só lá longe?
Naqueles países de águas inquinadas?
não, desta vez foste tu avisado
desta vez, o ocidente abençoado
é o cordeiro desta Páscoa
e tu, cordeiro és do sacrifício da alma
da purificação das mãos e dos pés lavados
como Cristo antes de partir
também tu terás de te render
com máscaras de ilusão
e sem ramos de oliveira, aguardas a morte
se virá ou não
e o corpo do amor,
não tocarás desta vez
não beijarás os lábios de mel
nem tocarás de perto o seu odor
refugiado és dentro de ti
insuportável estado de viver
promiscuidade da tua sombra e de ti
vives higienicamente no teu suor limpo
a sobreviver
regressas a ti, donde estavas ausente.
sabes agora que podemos ser refugiados
da morte e da dor, sem viver nos escombros
ou em águas inquinadas
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
Cafeteira
Faço um café na velha cafeteira que faz subir a água para se juntar ao café. Enquanto espero penso na onda a molhar a areia, penso no vento ...
Mensagens populares neste blogue
-
Ele costuma escrever-lhe cartas riscadas como vinil, cartas sem nome, curtas e voláteis, mas ela lia claramente o som da voz, a saudade da...
-
Entre montanhas planeio voos e plano sobretudo o lugar da ilha A vida existe mesmo que a não queira. Mesmo que a chame e a submeta aos pés d...
-
Comecei a desaparecer suavemente, com a mesma anónima entrada que fiz no mundo Vi com estes olhos a ruína do mundo, o mover de lodos e areia...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio