18.5.20

a comoção do olhar

como são os olhos que leem as palavras,
quando as sopro em tardes destas
com as primaveras limpas
pousadas no deserto e nas florestas?

como são? que comoção filtram
que emoção projetam no ângulo morto
onde o olhar é transeunte único?

que pensarás das minhas mãos
e do meu colo e das linhas da minha testa
neste breve beijo do crepúsculo?

ah, não deixes de caminhar pela linha azul
onde repousam as simples coisas modestas

como um pássaro apegado â realidade
mas a voar de mim para ti
sempre em festa, sempre em festa
há linhas de sol e abelhas-mestras

há borboletas tímidas, incompletas

mas como são os teus olhos quando escondem
comoção? mostra-me os teus olhos comovidos,
movidos por incursões loucas como esta
tão descomposta, inútil e claramente
pouca para o nada que me resta


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