3.5.20

A fala das flores


despertava as flores todas as manhãs
com a geada nas mãos, os ossos de papel

despertava no amado o amor
brisas de sol, água de sal

todas as marés lavavam demoradamente
a dor nas roupas secas, nos olhos quentes
a mariposa pousa sem nexo
na intenção de sorrir sem nada querer
sempre

um lampadário aceso no coração
pode queimar a pele e o ventre

despertava no amor o amado
e morria sempre

colham por mim as flores que virão
asas queimadas a geada das flores
ganharam o presente

talvez o amado não amasse
ou tenha perdido o dom de ler nas flores
a sua fala mais secreta e deferente




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