Um dia fazemos da noite as fragas de um rio e ficamos juntos na clareira da Lua.
Ouviremos nas águas nuas o destino dos corpos. Mas só falamos de coisas elevadas como a posição das estrelas nos olhos baços. Choraremos juntos, num mesmo poço.
Dissertamos para as cigarras as nossas melhores frases de amor até que a madrugada nos vença com a inigualável poética das aves.
Mas não poderás ceder à tentação da fuga, porque não tens estrada onde te percas, porque antes disso perder-te-ei eu em mim, porque depois duma noite inteira e lustral já não tememos a absorção do tempo. E porque o tempo somos nós, afinal.
Uma noite destas ficamos a falar de cousas banais, como da direção que tomam os ventos quando se cruza o nosso olhar
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