27.5.20

Espaço

Quando arrumo os cabelos ou a estante dos livros fico sem mais palavras para pentear, sem mais arrumações para fazer, perante uma ordem finita. É como quando te abro o meu peito e te deixo contemplar as veias vivas de sangue. Depois não posso dizer mais pois tudo disse, mostrando, pois que
me arrumei dentro de ti, de cabelos presos ao medo de não caber. Não, na verdade não posso repetir o que já disse.
Mas era tão bom se coubesse.

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