Não é o fim que interessa. Nem sequer o princípio. Conta o modo como iludimos o fim do princípio e nos preparamos para o princípio do fim. Esse é o tempo que me habita. Intermezzo. Entre tempos. Viro a quilha do meu barco para montante ou para juzante e em todos os tempos estás tu. Não tu, exatamente, mas a ideia de ti que aperfeiçoo dia a dia até te espremer como uma folha morta ou te cozer inteiro ao coração, como um escapulário de luz, um refúgio, como uma fatura paga, um brinde na roda da feira, uma raspadinha ganha, um sorriso inteiro a arder por dentro. Como se tudo o que não tenho pudesses ser tu. É mais que amor. É confiança, ombro, valsa secreta, afetação.
O tempo liga o princípio ao fim e eu só temo o fim do princípio que ainda somos ou sempre fomos. Não há escuridão tão escura como a primeira pessoa do singular escrita no passado ou em qualquer outro momento. A culpa pode ser do tempo.
Desculpa o tempo. Não tem culpa do uso que lhe damos...
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