És um príncipe, sem recorte no papel,
mas um príncipe maior
talhado em alvenaria, seda e suor
Tens um trono de sombra e luz, meu príncipe das quimeras, e uma corte de
sonhos que não te cabem, nem são de hoje
mas de outras eras, quando os príncipes
desciam aos povoados e desencantavam corças, calçavam sapatos e amores que perduravam
És o príncipe que extravasa
as rosas todas que te hei dado
quando, em silêncio, se ouve
o som do teu torpel e eu vou em alvoroço
render-te o meu melhor mel
nas dunas douradas, não deixas sinal
pegadas tuas não há senão nos arcos do céu, talvez as veja voar
a dimensão do teu reino de cisne só,
um lago de mariposas e outros seres
sem densidade,
assoma por vezes no teu olhar
reinas com a força nobre de um soldado
porque um príncipe não chora
mas sabe ser sereno no seu trono apaixonado
És um príncipe descalço e sem adornos
mas com um fino detalhe de amado
que um ourives cego te doou:
esse anel de fina alma, eu to beijaria se o teu reino fosse meu
És um príncipe e nunca ninguém te coroou tão perto do coração como
a pastora de sonhos e palavras,
que sonha servir por sete anos a sede da tua alma
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