sentada à beira do inferno
como se está bem no limite
quando o limite nos limita
a razão de viver
estou sentada no fim do tempo
com o riso desdentado dos dementes
entre mãos a minha alma
abaixo o fundo efervescente
como fiquei assim tão fria
na orla incandescente?
chove poalha luminosa
e nos fumos de enxofre iridiscente
juro que vi Dante descontente
sem rumo, sem Beatriz e sem
mais gente
é assim no inferno
como estar a ver num espelho
o espelho que espelha a nossa queda
às portas da vida e do amor
cansamo-nos, não vale a pena,
no inferno não esperamos
que o mundo nos dê a mão
bebemos todo o sarcasmo
que pudermos. rimos de nós
com um cigarro já frio
e nem sequer, na mão, um copo
Loucos? Não. Quando o inferno
nos tragar ainda temos ironia bastante
para arder em riso, como as bruxas
para deixar escrita a maldição
da vida que houve
das derrotas após as lutas
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