20.5.20

Salmos soltos Ii

é quase sempre com salmos que se fecham as noites

eu leio-te o deserto de ponta a ponta
e tu apontas para alguns grãos de areia
que tenho receio de apanhar

tudo escalda nas figueiras do deserto,
mesmo os frutos têm picos que ardem as palavras

é assim que o teu corpo distraído fez de mim uma duna afastada

tão próxima do vento que a menor brisa a espalha como um lençol de vento

cada duna desfeita é duna renovada;
é talvez por isso que as noites começam na ausência e terminam na presença inacabada

rezamos salmos como os profetas
matamos silenciosamente as nossas almas


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