é quase sempre com salmos que se fecham as noites
eu leio-te o deserto de ponta a ponta
e tu apontas para alguns grãos de areia
que tenho receio de apanhar
tudo escalda nas figueiras do deserto,
mesmo os frutos têm picos que ardem as palavras
é assim que o teu corpo distraído fez de mim uma duna afastada
tão próxima do vento que a menor brisa a espalha como um lençol de vento
cada duna desfeita é duna renovada;
é talvez por isso que as noites começam na ausência e terminam na presença inacabada
rezamos salmos como os profetas
matamos silenciosamente as nossas almas
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