por vezes o encontro é perto demais do mar, quando nos vemos
conversamos ao som das ondas e
é preciso gritar muito alto o que é só para se brisear ao ouvido, como fumo de cigarro dos lábios para o infinito
por vezes falamos no vazio absoluto
e é sabido que o som não se reproduz sem ser no ar que é concreto e fluido
quase sempre não falamos. murmuramos salmos soltos ditos vindos de outros
o que eu daria para te falar como Calipso a Ulisses, como o mais desengonçado marinheiro à empregada do café
com a mesma surdina do decote
e o mesmo passo atrevido do moço andaluz
o que seria capaz de dar por um naco de voz saborosamente doce no meu ouvido
temos este vinil na pele. nunca esquecemos as vozes que nos riscaram
por dentro algo como o desejo, o corpo, o conforto, o veneno
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