19.5.20

fuga


tenho dois lados que lutam entre si
e quando começa a perder o lado da luz
fujo para o refúgio da terra onde nasci

a liberdade nos dedos em volta do volante
na brisa que entra, e a canícula ardente

a fuga de tudo, sozinha contigo,
a voz gritante da planície
às vezes em pranto
às vezes em grito mas sempre contente
mas sempre contigo

a meio da estrada descubro uma razão
para a fuga: estou viva por todos que interromperam
sem saber o projeto da sua vida -  deixaram-me aqui
dona do nada que lhes coube viver

por eles,
corro para o lado do amor, para a costela ínfima de vida
a pontada em sol menor que recebe o coração
e venho sentar-me frente a mim mesma
no centro da emoção

é fuga, sim, mas é para ti

(e para os que já não são?)


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