na penumbra até o vento se recolhe
sopra os ramos do mundo ao meu ouvido
como se lá fora fosse tudo um lago mudo
repouso nos sentidos que me restam
sentir-te é raro privilégio
mesmo que seja neste memorial tão antigo
que não me deixa esquecer teu timbre liso
preciso dos meus olhos para te escrever
preciso deles para rasgar linhas teimosas
que porcventura o vento leva ou talvez não
porque hoje há este vento chão da primavera
há este canto triste da invisão,
estes são tempos de esperar em cada dia
a certeza do que vem pela manhã
na agitação da nespereira, no crepitar do loureiro
eu ouço a vida e sei que ainda é só maio
e faltam outros meses para viver
só peço, amor, só peço à vida, que me deixe ver,
com estes olhos distantes, as coisas próximas
que me podes dizer
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