31.5.20
corpo visitado
visitar a noite do teu corpo
distraidamente
passar como uma brisa
depois como uma fonte
conter entre os dedos o desejo
uma seara inclinada e eu o vento
na boca a fome loba de sentir
o sol e o sal que te vestiram
é nudez que busco e reinvento
uma espada é apenas um harpejo
só o silêncio te sacia com o passar
leve dos dedos
há estradas de sal, declives de mel
toda a água que a terra bebe
é água pura do regaço
e tu e eu temos sede
do íntimo abraço
visitarei a água nova do teu corpo
é tenso o gesto e sublime o fundo
até à tua quebra, meu amor, barco
já solto
amo-te na crosta ampla do que és
uma colina erguida, firme, um homem
inteiro, de pé
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