1.6.20

Dentro da tela

estendeu um lençol de luz e luar
deitou-se nele, seda na pele,
flora nupcial

é preciso ganhar a noite
ser sublime e serpente, ser rio e caudal

mas ela,
corpo desnudado,
na saturação de sal, silêncio e sol
sabe que a noite não faz reféns

tem um segredo guardado para quem se souber dar

com um leve sopro, apagou as estrelas
ficaram só dois, no céu nublado

ela e o amado, o amado e ela
dois lumes cruzados dentro de uma tela

com um suspiro apagou a noite
ficou só ela, por dentro do quadro

com o amor preso na garganta
o sono caiu como doce manta



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