19.6.20
a luva
estendo a mão à vida
um naco de sol
na janela em lágrimas
de outras tempestades
estendo a mão ao acordar
estendo-me para além do que sou
prolongo-me no que não sou
e não interessa mais nada
a luva não serve no meu coração
deixa lá o lume e a chama
e chama por mim que a noite é flama
esquece as rimas exatas
e as imagens perfeitas dum poeta nato
eu sou vida e tudo que tenho é do sol
um simples naco
mas isso basta. ser feliz não está na mão do outro
estou presa a esta minha vontade de chegar
sem ter nenhum barco no cais à chegada
mas chama por mim. a chama não está apagada
e a luva não serve nas mãos que colhem
os sinais da trovoada
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