Levamos o amor intacto para a morte
Sobe à memória uma onda de lume
Talvez um vago leito de prazer
Permaneça nos lábios hirtos
E todas as metáforas que ergueram o abraço
ocupam a mortalha, todo o espaço
Eu quero amar-te até esse poente
Com todo o viço da entrega
Com a pele acetinada de um eloendro
O teu olhar de outono, o peito desfolhado
A tua boca fresca, a doçura dos teus lábios
São memórias minhas, inacabadas
Nada apagará o desvio das nossas vidas
Mas algo converge para a raíz
E a raíz é funda e viva
Agora mesmo, meu amor, a madrugada
Agora mesmo, ainda que a morte venha
Agora mesmo a madrugada
que assim seja e seja plena e alva
Entre os braços do amor
Que a vida venha e seja vaga
Já que a morte, essa, será tão mais intensa
Quanto mais esta entrega nos una e enlace. T
Tudo o mais é nada, apenas pena
enquanto a noite arde, lava serena.
20.6.20
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