20.6.20

Da morte e do amor

Levamos o amor intacto para a morte

Sobe à memória uma onda de lume
Talvez um vago leito de prazer
Permaneça nos lábios hirtos

E todas as metáforas que ergueram o abraço
ocupam a mortalha, todo o espaço

Eu quero amar-te até esse poente
Com todo o viço da entrega
Com a pele acetinada de um eloendro

O teu olhar de outono, o peito desfolhado
A tua boca fresca, a doçura dos teus lábios
São memórias minhas, inacabadas

Nada apagará o desvio das nossas vidas
Mas algo converge para a raíz
E a raíz é funda e viva

Agora mesmo, meu amor, a madrugada

Agora mesmo, ainda que a morte venha
Agora mesmo a madrugada
que assim seja e seja plena e alva

Entre os braços do amor
Que a vida venha e seja vaga

Já que a morte, essa, será tão mais intensa
Quanto mais esta entrega nos una e enlace. T

Tudo o mais é nada, apenas pena
enquanto a noite arde, lava serena.


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