Se temos um agora, um hoje, se há tanto advérbio presente, porque descascamos o passado essa cebola chocha e tola que definhou?
Todo o antes prepara o depois e só o depois é o perfeito colar das contas de antes.
Porém, o já é o advérbio perfeito. Já fomos tudo que já pudemos ser e somos já o que já tínhamos sido.
Já podemos ser quem já somos ou será que já não somos quem éramos e sim já uma versão atquétipica do ideal que somos?
Já não há como montar a teoria. Só sei que o que te quero chama-me já.
Que não venha Proust ou outro igual com a nostalgia do dantes, o passado perdido, porque só temos pequenas miragens de hoje para contemplar e a tua voz já é agora a miragem maior. Ouço-te e sou feliz.
Ao meu ouvido, agora, fala-me do amor que anseias já ou já não há páginas em branco onde podemos ficar?
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