4.6.20
palavras brancas
acordar é renovar o algodão nos olhos,
quebrar a luz em excesso
contra o candeeiro dos céus
a implacável tortura
só o sono sabe o sentido da existência
com a mão do sol atrás dos montes
tudo é sombra e solução, não há acidentes
um caminho aplanado, os passos leves
o corpo não sabe nem pensa apenas vive
nas palavras brancas, sem ouvintes
o dia começa com tumulto
um esguicho de sol nas persianas
um agudo apito de automóvel,
o despertador que brame nas entranhas
à nossa frente há horas e minutos
e uma claridade aguda demasiado evidente
e eu tão invidente e tão reclusa
busco a minha cura
na certeza de que só a bruma acetinada
a bruma loura das manhãs alvas
esconde do mundo a perda das palavras
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