20.6.20
que sei eu?
O que sei eu do mundo, meu amor?
Só sei que o temo e o desejo.
Nunca verei aquelas cascatas
que os teus olhos viram brilhar ao sol.
Nunca senti nos ossos o frio
dos mais verdejantes polos.
Não estive onde os prodígios das águas
libertam a morte.
Não conhecerei os altos edifícios das cidades
de vidro, construídas pelo homem.
Mas sei dos teus olhos o reflexo
das viagens que fazes nos meus olhos.
Sei também a cor das flores que me colhes
e deixas morrer numa jarra, com pouca água.
Do resto,
não sei mais nada.
É como o amor.
Que sei eu do amor a não ser
que te amo? E do mundo a não ser esta estrada?
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
A emoção
A emoção abriu a porta, entrou e ficou brevemente atenta. Uma sala sóbria e nela apenas uma cadeira e um homem. Compunham momentos idos num...
Mensagens populares neste blogue
-
Ele costuma escrever-lhe cartas riscadas como vinil, cartas sem nome, curtas e voláteis, mas ela lia claramente o som da voz, a saudade da...
-
Entre montanhas planeio voos e plano sobretudo o lugar da ilha A vida existe mesmo que a não queira. Mesmo que a chame e a submeta aos pés d...
-
Comecei a desaparecer suavemente, com a mesma anónima entrada que fiz no mundo Vi com estes olhos a ruína do mundo, o mover de lodos e areia...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio