Ponto, linha, laçada. Uma mulher escrevia o seu destino no pano, ponto, linha, laçada. Ou do nada saía o nó e a laçada. Mantas intermináveis e toalhas ou panos em rendas complicadas.
As mulheres deixavam os seus poemas sobre as mesas, os sofás, ou nas janelas.
Ninguém os lia. Só uma mulher lia os poemas escritos por outra. Mesmo assim, nunca os decifrava. Os pensamentos juntavam-se ao ponto, ao nó e à laçada e ali ficavam presos, entrelaçados, aprisionados.
Sou guardiã das vozes que aí ficaram prendidas. Nos panos de renda abertos em feridas.
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