Ponto, linha, laçada. Uma mulher escrevia o seu destino no pano, ponto, linha, laçada. Ou do nada saía o nó e a laçada. Mantas intermináveis e toalhas ou panos em rendas complicadas.
As mulheres deixavam os seus poemas sobre as mesas, os sofás, ou nas janelas.
Ninguém os lia. Só uma mulher lia os poemas escritos por outra. Mesmo assim, nunca os decifrava. Os pensamentos juntavam-se ao ponto, ao nó e à laçada e ali ficavam presos, entrelaçados, aprisionados.
Sou guardiã das vozes que aí ficaram prendidas. Nos panos de renda abertos em feridas.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
Novas venham
Novas venham virar os ventos, com envergadura e verve, com suavidade ou febre, que venham Bóreas e seus irmãos, Zéfiro e Noto, Suão ou Este,...
Mensagens populares neste blogue
-
Entre montanhas planeio voos e plano sobretudo o lugar da ilha A vida existe mesmo que a não queira. Mesmo que a chame e a submeta aos pés d...
-
Quando meto a marcha à ré, nunca sei se devo olhar para trás se para a frente. A medição das distâncias, muitas vezes, não depende dos olhos...
-
Nos teus olhos o brilho que nunca vi nos meus. Imagino que foi tudo um sonho longo que só sonhei eu E lanço-te ao rio numa folha forte na j...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio