Não há harmonia, meu amor, não há claridade nos meus olhos, nem crença, nem credo que decante o veneno do meu corpo
Não me peças suavidade se tenho em mim o peso de toda a humanidade ferida, se sou eu mesmo fera escondida
Hei de soltar-me deste peso, talvez com a visão meiga do teu rosto, é só o que me resta, a meiga voz do teu rosto, só ela me faz imaginar que esta não é a torpe vida que mereço
Voltarei a vibrar as cordas do meu corpo,
farei crescer lírios em agosto, verás que entre nós nada é finito e que um relógio louco há de parar nesse minuto - quando chegar a manhã limpa de todos os verbos vivos como amor, amor ardente, amor louco e nomes bíblicos como
água e fogo chama e serpente.
Voltarei abençoada de um inferno que não conheces, nem pressentes,
mas deixa-me ser ainda a louca, a lâmina, a faca, o lume efervescente... se até as rosas choram para dentro, antes de se abrirem ao relento
Eu venho, como a madrugada eu nasço sempre. Mas hoje deixa-me arder esta paisagem até que as cinzas se soltem e se espalhem como eu, dissolutamente
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