29.7.20
Sorriso
Abre-se em todos seres. Nos olhos do cão abandonado que ontem partilhou o jantar comigo, numa esplanada da terra; nas andorinhas que fazem raids na água para matar a sede e partem em voos felizes; nos hibiscos do jardim aqui ao lado, corados e orgulhosos da sua perfeição; nos velhos que no jardim atentam uma saudação de alguém para se sentirem vivos; nas crianças que seguem num balão um sonho pequenino de voar também; nos doentes quando as visitas chegam; nos namorados quando os olhos de um se desenham no outro e depois o inverso; quando descobrimos a cumplicidade, a aceitação; quando alguém envia versos para nos animar na solidão; quando nasce um poema mutilado que é recebido como um se fosse uma obra de arte, isso desenha sorrisos; quando alguém nos lembra que o nosso mundo converge com o seu (tão raro beijo), isso engrandece o sorriso e chama-se a retribuição do amor.
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