20.8.20

Dias de bruma

Das minhas alturas só se vê bruma. Um lençol caiu sobre a cidade e deixou-nos encarcerados no inverno. Demasiada bruma.

Pequena nostalgia destes dias, a névoa ocultou a exterioridade e acentuou a interioridade. A bruma do afastamento.

Vivo dentro de ti, de pulmões molhados, de olhos baços, com uma febre de sol, anémica de amor.
Os efeitos colaterais da distância.

Dantes, quando vinha a bruma, descíamos para a neutralidade e achávamos lugar no mesmo seio.
Foram os anos da busca.

Hoje tens a porta fechada, não mais chamas por mim e a bruma é uma composição suja e pálida, sem força para iluminar a dor.

Os dias de bruma traziam o mistério. Agora afastam-no, porque deixámos apagar a luz. Demasiada distância. Onde estou não estás tu. Onde estás eu não estou.

Ficámos de súbito contidos na mesma sombra. Sabemo-nos e tememos a absorção.

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