O meu poema é um estendal de roupa numa corda do tamanho de uma vida, com molas como andorinhas coloridas.
O meu poema sou eu presa à corda com tranças floridas e o vento a desviar-me a franja. O ritmo é o balanço do tempo numa infância que me atravessou sozinha.
Estas letras que se ouvem dentro do vento fui eu que as cantei para embalar os meus meninos. Foi outra trança perdida.
As letras de baixo fazem um rodopio de palavras apaixonadas e honestas que eu sacrifiquei aos sentidos, agora idas.
Esta estrofe que ainda cabe no estendal escorre amargura e molha o resto da vida:
de tanto ter balançado o coração para ser feliz, vim acabar numa corda de roupa, à espera que o vento ou a morte me prendam alto numa estrela.
(É duro perder-te, mas ainda é mais duro quando te perco ao domingo e à quinta-feira.)
(...)
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
Ao diabo a guerra
Fragatas, freios, ferragem, ferrugem, mundo este que já farta e nos afunda Fragatas por traineiras e, para a fome do povo, de que servem as ...
Mensagens populares neste blogue
-
A noite é linho e luz até chegar a madrugada. Apenas estás lá. Não sabes nada. No leito flutuam flores de seda álgidas. Por onde anda a tua ...
-
Entre montanhas planeio voos e plano sobretudo o lugar da ilha A vida existe mesmo que a não queira. Mesmo que a chame e a submeta aos pés d...
-
Nos teus olhos o brilho que nunca vi nos meus. Imagino que foi tudo um sonho longo que só sonhei eu E lanço-te ao rio numa folha forte na j...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio