No ninho da noite, cratera do luar, na crista do vento, a neve por cama, posso noivar com os astros, discretos abraços fosforescentes.
E com os teus olhos aqueço o meu corpo, dois carvões ardentes, centelhas de fogo, faíscas de vento.
No ninho da noite, cratera de luar, esquecemos o vento, podemos gritar ao fundo do vale aquilo que somos, almas desviadas,
robustas e frágeis a vaguear entre velhos poemas e histórias de encantar e de linhagem.
Tu és o príncipe sereno e leal, eu sou a voz da terra que me está a chamar. Noivemos agora, no ninho da noite, cratera do luar, porque a manhã, com a luz crua a queimar,
poderá nunca chegar.
O nosso reino é obscuro, mas a penumbra é de paz. Uma história de embalar e tudo se enfim se desfaz.
27.8.20
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