Os teus olhos são o fogo que me aquece. Entrar e morrer na tua pele.
Olha-me, despede-te, mas antes despenteia-me, desmancha esta dor resignada. Vem com as pedras dos teus olhos, suaviza a alma, dá-me a concha da tua dor, a pele ázima do desejo. Vem. Como vem a água.
Podes vir de noite ou pela madrugada mas prende-me os cabelos e serra-me até ao fundo da tua alma. Não digas nada. Há uma serpente de metal, mil desejos silenciados, no dorso do corcel uma lua incendiada, na lua a promessa de uma serena manta e as estrelas cúmplices, desavisadas.
Só as palavras, não as digas. Não valem nada.
25.8.20
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