Os teus olhos são o fogo que me aquece. Entrar e morrer na tua pele.
Olha-me, despede-te, mas antes despenteia-me, desmancha esta dor resignada. Vem com as pedras dos teus olhos, suaviza a alma, dá-me a concha da tua dor, a pele ázima do desejo. Vem. Como vem a água.
Podes vir de noite ou pela madrugada mas prende-me os cabelos e serra-me até ao fundo da tua alma. Não digas nada. Há uma serpente de metal, mil desejos silenciados, no dorso do corcel uma lua incendiada, na lua a promessa de uma serena manta e as estrelas cúmplices, desavisadas.
Só as palavras, não as digas. Não valem nada.
25.8.20
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
Dia dos (Des)namorados
Não sei que diga nestes dias especiais. Não há dias felizes com marcação prévia como no cabeleireiro. Que sejam felizes os apaixonados. Os q...
Mensagens populares neste blogue
-
Ele costuma escrever-lhe cartas riscadas como vinil, cartas sem nome, curtas e voláteis, mas ela lia claramente o som da voz, a saudade da...
-
Quando meto a marcha à ré, nunca sei se devo olhar para trás se para a frente. A medição das distâncias, muitas vezes, não depende dos olhos...
-
Entre montanhas planeio voos e plano sobretudo o lugar da ilha A vida existe mesmo que a não queira. Mesmo que a chame e a submeta aos pés d...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio