4.9.20

Dentes de leão sobre as feridas de Ulisses

Três posturas em uma hora e quinze. É ginástica bastante para abraçar a vida e matá-la num instante

Inclinada, reclinada, corpo pendente. Três formas de unir o tudo e o nada, o nunca e o sempre

Tudo é relativo a algo ou a alguém, não sentes? Eu sou a minha própria negação. Tu, sim, existes

E, de repente... retomo a tapeçaria, onde bordo dentes de leão sobre as feridas de Ulisses

Alinhavo no pano as minhas penas ausentes, mesmo que Ulisses se torne um velho sem dentes

E os meus pretendentes, esses, há muito definharam entre os meus dedos displicentes

Mas nas noites estivais chamo o seu nome sob a Lua da ilha. Ulisses não vem, ébrio de outra magia.

O meu corpo mergulha nas águas da noite.

Tenho a minha tapeçaria.


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