Andar parado, tremer impávido, fugir ficando, morrer vivendo, são oxímoros de natureza problemática. Às vezes, o oxímoro é o ferro dentro de nós que nos dilacera.
Sei da tua dor separada de mim, a dor que não vem de mim e te sobreviverá a mim. Sei da encruzilhada, do mar da palha, o desânimo, o vazio, sei a caravela parada de onde vem o nada aos teus olhos.
Mas olha, meu amor, todos os dias há uma novidade à nossa espera, quando desejamos muito algo e o buscamos.
Planta o teu horto, lavra o teu coração, afina a tensão do teu rosto e atira para o mundo uma leve intensidade de sons e sementes de alegria. Esquece-te de ti e dá-me o que mais preciso, a tua voz que nos cai fundo à superfície da alma.
Fazes falta ao mundo. Cai levantando-te. Parte chegando. Canta chorando. Ama sem amares.
Mas deixa o oxímoro da destruição fora de portas. Entra.
Eu tenho medo do mundo, mas tenho muito mais sem ti.
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