Na tua ausência eu escrevo o fogo, na tua ausência eu beijo o vento, na tua ausência bastam as palavras de ontem embrulhados num papel de jornal com fait-divers já esquecidos, na tua ausência resta ainda a tua presença, naquela cadeira azul sem braços onde nunca estiveste, na tua ausência amor tenho a tua sombra, na tua ausência, eu escrevo as mágoas e apago-as, rasuro as cartas e escrevo linhas lisas com tinta de amor. Na tua ausência subjaz tudo que me és e, ainda que não voltasses, continuarias a ser tudo que me és. Na tua ausência, amor, eu sou mulher, na tua ausência acrescento pontuação ao sonho com um par de reticências como patins de gelo a deslizar no fogo. Na tua falta, o silêncio é maior, porque as palavras não têm voz para te chamar. Na tua ausência, o nevoeiro cerra o coração como garra de algodão. E dói. Quando partires, podes deixar recado na palma da minha face. Um beijo, eu volto já. Ou uma flor na cerca da nossa casa.
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