17.10.20

O tempo das palavras

O tempo das palavras não cabe no nosso tempo. É breve como a alvorada.

Choco contigo numa vírgula que é afinal um ponto alto e a onda cresce, eu raso a água, entrego ao vento a maré vazia do meu corpo.

nesta areia, abraço-te em reticências delicadas e, quando a subtilidade da voz se enche de sal, tanto sal, tu cais no silêncio.

Fica. Até o tempo das palavras nos alimenta.


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