Não me perguntes qual o sentido da vida. Ainda não o trago nos bolsos, por mais que pense encontrá-lo. Não sei que sentido tem a vida, porque ainda não lhe achei a direção, o norte, a morada onde more a plena satisfação. Tenho muitos sentidos e nenhum que tenha mesmo a direção certa da vida. Escapam-me os passos que dou depois de os dar. Busco lugares como se ali morasse o meu mundo, mas o meu mundo não mora em mim. Não sou de lado nenhum. Não pertenço onde pertenço e ainda não consegui pertencer onde não pertenço. Faltas-me em todos os lados, porque a minha pertença és tu. Não sei qual o sentido do resto da vida que passarei sem ti. Ignoro o que quero fazer, depois de perceber que não há nada que possa decidir para chegar a ti ou para me aproximar de um lugar feliz. E no entanto a beleza existe. Só não consigo alcançá-la.
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