Depois de escrever versos de amor, uma pessoa encara isto como um estado teórico, vivido com os anéis do ideal. E escreve para evocar o amor, dissemina amor pelo deserto. Mas um dia descobre que o amor tem rosto, nome e os mais belos olhos do universo. Então, em vez de versos de amor, escreve apenas versos com a boca e di-los com os olhos, porque o amor é sempre o inverso das palavras, é o beijo que aflora aos lábios e se perde numa frase suspirada, absorvida, na oculta febre que se segue. O amor é esta sintaxe sem léxico, esta aspiração do outro para dentro da alma. O amor é o reverso das palavras que se recolhem, porque é preciso silêncio para sentir, sempre que os olhos se olhem e o clarão surgir.
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