18.6.21

Despedida

Tenho à minha frente a cidade muda, molhada e triste.

É como ver a face dura da morte expressa na nudez dos telhados, dos passeios e raros cafés entreabertos

Não cheira a terra molhada mas a sargetas entupidas. É quase agreste o álgido som dos carros distantes.

Não é suportável saber que a terra molhada te acompanha no lugar do corpo que amavas.

É insuportável imaginar a clausura coberta de flores, o mármore em que te tornaste, ainda moço.

Como pudeste escolher a morte, sabendo que tudo que tinhas ainda existe? 

Como te apagaste numa manhã de sol, um sol brando e doce, meu pobre amigo?

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