26.7.21
O barqueiro
À meia-noite em ponto, vem da água um hálito frio. Passam fantasmas nas águas de prata com os olhos vidrados dos peixes. Pousam anjos nos meus sonhos, arrastam-me para longe. É meia-noite junto ao lago e o curso é longo. É como contemplar a fuga da vida, a vida em fuga e eu ainda não atravessei contigo as águas, não caminhei sobre o teu corpo, nem mergulhei nos teus olhos por mais do que um segundo. É meia-noite no lago fundo. Abraço o barqueiro como se fosse o teu corpo, não vou ainda atravessar o rio. É cedo para quem viveu (contigo) tão pouco.
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