Isto que agora sinto pode ser tudo, ou pode ser nada, uma mansidão nos gestos, sem pressa de chegar. Interessa-me a superfície fina das coisas, a beleza íntima dos objetos, os traços de luz que ficaram na memória, cachos de uvas pendentes, pesados, luzes inversas, interessam-me noites abertas, amplos terraços para a Lua, escadas que percorrem outras dimensões sem nunca chegar, gosto da luz dos homens apaixonados, no fundo dos seus olhos brilha a eternidade. Interessa-me o mistério que há em tudo e em nada, sou o olhar que filtra a novidade, uma nova esteira onde a solidão é a liberdade de preencher todo o espaço com a presença do olhar que vê. Essa relação íntima com as coisas pode ser tudo, pode ser nada, mas é um estado de submissão ao invisível. Permaneço no âmago das coisas. Viajo e nunca chego a chegar, por isso também não tenho de partir.
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