Olha, hoje faz anos que qualquer coisa aconteceu. Não sei o que foi, mas todos os dias o nosso mundo rejubila com o enamoramento do passado. No registo dos dias encontrarás o som mais agudo dos céus, a ave de rapina que rasga a solidão, o brusco tremor do véu nos lábios. Regista-te e busca na memória da casa o arrastar da cadeira, o peso da lágrima, o olhar tímido à chegada. A vibração do encontro. A esquina que me viu, a esquina que te amparou. A casa ouviu e viu, guardou. Todos os dias celebramos as migalhas do dia, os prodígios, as pequenas exaltações e só tens de olhar para os cantos dos lábios que desenharam a cidade etérea. Todos os dias acontece algo a que chamaríamos poesia se não fosse crescimento e morte do amor. Hoje é só mais um dia.
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
Recentemente...
Fúria dos deuses
Não digas nada. Escuta como é feroz este som da tempestade. Não perturbes o vendaval com o teu medo. Deixa-o largar a sua fúria até morrer. ...
Mensagens populares neste blogue
-
Ele costuma escrever-lhe cartas riscadas como vinil, cartas sem nome, curtas e voláteis, mas ela lia claramente o som da voz, a saudade da...
-
Entre montanhas planeio voos e plano sobretudo o lugar da ilha A vida existe mesmo que a não queira. Mesmo que a chame e a submeta aos pés d...
-
Comecei a desaparecer suavemente, com a mesma anónima entrada que fiz no mundo Vi com estes olhos a ruína do mundo, o mover de lodos e areia...
Sem comentários:
Enviar um comentário
Deixa aqui um lírio