Cresceste nos meus olhos e eu cresci nos teus, com a pujança teimosa de uma semente lançada por engano à terra. Adormeces nos meus olhos como o Sol ao fim do dia. Nasces de manhã com os sons da vida funcional. A tua voz entorna-se vagarosamente sobre o meu sono e então eu sei que voltarás todos os dias a nascer no lado esquerdo do meu coração. És a memória dos meus sentidos. Luz, som, silêncio e solidão conjunta, o maior oxímoro de sempre. Mas és tu. Aquele que me vê com o coração e com o corpo me sente.
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