3.2.23

Noites como esta

Algumas noites e o tempo,  por dentro, rasgam-nos o ventre, vertem luz, vazam o mais doce veneno

Noites em que ficamos perto, sem abrir a porta a nenhum estranho, com o abismo aos pés e o infinito sonho

Estamos sós para sempre com a levíssima fímbria de algo azul, a dobra de um lençol verde de vida, 

violeta de amor

São as noites longas de um passado verão, paralelamente inverso entre a loucura e a paixão 

Mas, meu amor, as palavras no inverno são a longa morte das cigarras

Estas não cantam e as formigas, eternas obreiras,  também não. Por isso não me peças versos nem cerejas


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